Pintura

A pintura surgiu em minha vida há uns 5 anos.

Estava cansada, precisava de alguma coisa que me distraísse e ao mesmo tempo me absorvesse de modo que eu pudesse me desligar do mundo. Funcionou!

Aprendi a relaxar, a me  concentrar, a observar detalhes, mas como não consigo aceitar as coisas sem interferir e tentar mudar seu rumo, depois de dois anos naquela escola comecei a me questionar sobre o que era mesmo que eu estava aprendendo por ali. Aquilo estava me satisfazendo ou eu já estava pronta e precisava de algo mais desafiante?

Cansei daquela coisa de fazer de conta que estava pintando. A metodologia funcionou por algum tempo porque eu não tinha a menor noção de como usar o pincel, de como misturar as cores, nada enfim. A professora riscava a tela, sentava-se ao lado dos alunos e pintava praticamente o quadro todo e eu saia contente pensando que era meu. Após algum tempo senti-me ridícula por ter permitido isso. Larguei tudo e voltei a escrever.

Um dia vi um cartaz sobre um curso de desenho e resolvi aprender a desenhar para entender como a pintura funcionava. O curso me surpreendeu pela maneira ágil e orgânica com que a lógica do desenho entrou em mim. Perspectiva, sombra, luz, texturas, corpo humano… sem perceber eu sabia desenhar… Confesso que não aprendi mais por causa de minha total falta de tempo para me dedicar aos exercícios, mas está tudo aqui dentro de minha cabeça, é só procurar que eu acho!

Na continuação do desenho a turma começou um curso de pintura a óleo. Estamos encerrando o semestre e eu sinto que finalmente estou aprendendo a usar as ferramentas, as tintas e suas cores, mas principalmente a ver e sentir os pensamentos e sentimentos que quero pintar.

Meu projeto é pintar os temas de minhas poesias para ilustrar meu livro. Na realidade são dois projetos interligados, que com certeza terão desdobramentos na música e quem sabe até na dança, pois já me imaginei dançando um poema…

Meu professor Túlio Costa é mineiro, possuí uma bagagem artística que vai de pintor e professor à restaurador e adido cultural na Alemanha. Adoro-o! Mesmo quando ele nos ameaça e vem com aquele “paninho horroroso” para apagar a explicação que acabou de dar em nossos quadros. Ele não quer nada dele em nossos trabalhos e isso me faz gostar mais ainda dele, porque só reforça que o meu sentimento estava certo… Mas na hora dói um bocado!

Só posso me apresentar como pintora se todos os traços de meus quadros forem meus. É assim que me sinto completa! Além do que, lá no ateliê, eu posso cantar, chorar, recitar minhas poesias ou ficar quieta. Posso ser eu mesma sem incomodar ninguém e ainda sair com o resultado de meu trabalho de descoberta interna, relaxada e lambuzada de tintas multicores dos pés à cabeça feliz da vida…

Confiram as fotos* das telas que estou pintando, aos pouquinhos estarão todas aqui.

Abraços coloridos a todos,

Marta

*Fotos nos links para as sub-páginas no final da coluna da direita.

Um comentário em “Pintura

  1. A respeito de meus primeiros quadros Túlio fez o comentário abaixo. Sem querer fez poesia…
    “Marta Gaino,
    Começa o projeto de ilustrar suas poesias. Uma dura missão, pois escrever com cores e pintar com palavras é o grande desafio. Adora um tom só, seja quente ou frio, porém o que acalma e agita não é a cor, mas a idéia da forma imaginada e reinventada. Poema ou dilema?”

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