Dança dos dedinhos

Depois de minha estadia forçada no hospital na sexta feira passada pensei que estaria livre de doenças, acidentes e afins por um bom tempo, mas a vida novamente me mostrou que as coisas não são do jeito que quero ou penso, então segue a narrativa desta semana.

Pedro Camilo chegou em casa reclamando que seu polegar esquerdo estava doendo e inchando. No final do expediente, numa brincadeira com um colega, acabou levando um soco no dedo (dessas brincadeiras de luta de meninos pequenos que por mais que cresçam ainda continuam achando graça, enfim comentários de mãe!)

– Põe o dedo no gelo que resolve! (Diagnóstico de mãe)

– Bom, já que é só por no gelo, vou ali na casa de Mateus ver o jogo. (Mateus, o mesmo colega do trabalho, que é também colega de infância, e que por acaso foi quem deu o soco de brincadeira)

– Mas se está com o dedo machucado, fica em casa criatura!

– Fazendo o quê?

– Vendo o jogo, oras!

-Não, eu vou…

– Então fique com o dedo no gelo lá também!

Foi…

De lá acabou indo para o hospital…..

Chegando ao hospital foi atendido na emergência que constatou que o dedo estava quebrado. Tinha indicação para cirurgia, mas como o cirurgião só atende no dia seguinte a partir das 14:00hs não ia adiantar interna-lo na emergência, pois, com certeza, a cirurgia só seria realizada no outro dia à noite, então teve de voltar para casa. Ligou para o pai, voltou dirigindo sozinho, entrou em casa de mansinho e dormiu, coisa que eu já estava fazendo há muito tempo.

No outro dia de manhã, recebi a grande notícia. Como o cirurgião só ia atender à tarde mesmo, fui cuidar de minha vida porque também tinha 2 “istas” com quem me consultar.

Chegamos no hospital às 13:30hs, vá fazendo as contas…

O cirurgião nos atendeu as 14:30h, confirmou a cirurgia e mandou-nos retornar a emergência para fazer a internação;

Chegamos à emergência às 15:00hs, passamos pela portaria que foi agilíssima, diga-se de passagem, e nos encaminhou ao consultório de ortopedia de plantão.

Aí é que a coisa começou a desandar. Processos, sempre os processos!

Fomos chamados e explicamos o caso para o médico de plantão, um japa baixinho, que disse. Ok, esperem um pouquinho (aí no corredor). Demorou um pouco mais que “um pouquinho” e veio o companheiro dele, um altão com cara de estagiário, que perguntou o que estava acontecendo. Explicamos como todo bom paciente faz, ele entrou na sala e ficou confabulando com o japa. Depois de atenderem uns dois outros pacientes da emergência, o médico altão com cara de estagiário veio me perguntar se eu já havia passado no cirurgião!!!!!!

Eu, com toda a calma do mundo de uma pessoa reconectada com a energia cósmica do universo, respondi que sim, inclusive ele, o cirurgião, já havia feito a solicitação no verso da indicação de consulta que o médico do plantão da madrugada havia pedido, exatamente como estava escrito no papel que estava no envelope, junto com as radiografias que estavam com eles desde o momento em que chegamos à emergência às 15:00hs. Ele olhou para minha cara e entrou de novo no consultório.

A partir dai começou um entra e sai do consultório parecendo que aqueles dois estavam completamente perdidos com a situação (cadê o processo? 1), até que apareceu um terceiro médico, gordinho, perguntando o que estava acontecendo e qual era o caso, para o que explicamos novamente (pela 3ª vez) e todos sumiram de novo.

Enquanto isso, eu e Pedro estávamos sentados no corredor junto com as pessoas em atendimento de emergência, observando o caso de dois médicos (médico/médica) que pareciam que estavam tendo uma briga de casal no meio dos pacientes. Ridículos, inadequados, mas divertidos; os pacientes ficavam aguardando as cenas dos próximos capítulos enquanto esperavam serem chamados na sala de raio X, mas essa é uma história à parte que ficará para outro dia.

Voltando; depois de umas duas horas de entra e sai e “me explique o que aconteceu”, o médico alto com cara de estagiário pediu que eu assinasse um papel para a internação, uh-hu, beleza, assinei rapidinho. Ele pegou o papel e sumiu….

Quando voltou entrou no consultório com cara de quem pensava: dessa eu já me livrei.

Cansamos de esperar que alguém nos chamasse, então fui ao consultório e perguntei se estava tudo certo com a internação, ao que ele e o japa me responderam que já tinham encaminhado o processo(2).

Nessa brincadeira, deu 17:00h e Otávio chegou para saber como estava as coisas. Quando expliquei o caso, ele foi direto à administração saber se estava acontecendo algum problema (coisa que simplesmente não passou pela minha cabeça cansada, infelizmente).

Batata! O hospital dizia que o convênio não estava autorizando a internação e o convênio dizia que o hospital não estava fazendo o pedido corretamente (processo 3), foi preciso que Otávio fizesse as ligações telefônicas entre os dois para que a autorização fosse enviada e Pedro pudesse ser internado. Ai já eram mais de 19:00hs, não tinha quarto livre, e Pedro foi admitido na enfermaria até aguardar o centro cirúrgico chamar.

Tudo bem?

Na enfermaria, fizeram um acesso para medicação em Pedro (porque é o procedimento correto!!!) e ficamos aguardando os acontecimentos.

O centro cirúrgico chamou e as enfermeiras não haviam recebido ainda o prontuário de Pedro (processo 4), nem os pedidos de exames de sangue ou radiografia (processo 5) e lá vai Otávio de novo atrás do prontuário e do “processo” .

Procurou pelo médico responsável pelo posto de internação, que nem sabia o que estava acontecendo (processo 6), Otávio explicou tudo de novo e foram lá no consultório dos ortopedistas procurar pelo prontuário de Pedro. O médico deu o prontuário para Otávio (processo 7) e Otávio entregou a enfermeira (processo 8) que não entendeu nada:

– Por quê é que é o senhor e não o médico, quem está me entregando o prontuário de Pedro?

Enfim, era Otávio que tinha de saber a resposta?

Com o prontuário na mão e o centro cirúrgico já chamando Pedro para a cirurgia, a enfermeira lembrou ao médico que não haviam sido realizados os procedimentos para a cirurgia, ou seja ninguém havia pedido exames e radiografias, ao que o médico “prontamente” fez a solicitação. (processo 8).

Resumo da ópera do polegar quebrado: Pedro Camilo subiu às 22:00h, atrasado, para fazer a cirurgia, que terminou às 02:30h com a colocação de 3 pinos de titânio, que resultará em 15 dias imediatos de licença médica, podendo se estender até 60 dias + fisioterapia.

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Fiquei com Pedro no hospital até manhã, Otávio ficou até sua alta.

Sai do hospital sem dormir e sem tomar nem banho, fui direto para o último dia de meu curso, a tarde fiz minha prova e tirei nota 6.

Deu vontade de escrever um roadmap do processo de atendimento e enviar para o médico chefe da emergência, mas afinal, reclamar com quem e para que? Estávamos todos tão cansados e Pedro já estava bem, que o melhor é seguir em frente.

Pensei em André, lá naquela lonjura… Levamos um dia só para chegar lá caso ele precise!

Acho que ficar no hospital apaga minha memória de curto prazo pois não me lembrava de nada do que havia visto durante a semana toda no curso, mas sem preocupação nenhuma, afinal o papel mais importante da semana foi o de pai e mãe e não de profissional de planejamento, projetos e processos.

Beijos amigos,

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