Teia de aranha na cuca

As férias acabaram, o passeio terminou, as visitas foram embora e a vida continua…

Essa semana ainda me parece meio melancólica, como se continuasse com o espírito de 2009 que  não quer desencarnar.

Já consegui colocar alguns planos em andamento mas outros estão presos emaranhados em teias de aranha dentro de minha cabeça, preciso achar o fio dessa meada de seda e começar a desenrolar os dias antes que me atropelem.

Começei a academia com garra, mas no terceiro dia aquele meu pé “frouxo” não aguentou o tranco, saiu do lugar, inflamou e está doendo até hoje… eu que não lhe dei ousadia, coloquei uma tornozeleira e fui passear. Resultado: faz quase duas semanas que não vou a academia. Hoje de manhã já com tudo certo e esquematizado para minha volta não teve quem me tirasse da cama. Levantei como se nada tivesse acontecido e eu ainda estivesse vivendo na década passada, não fui e pronto. Isso me assusta!

Na hora do almoço dei uma passadinha numa loja de decoração e na sessão de espelhos fiquei pensando o quanto eu preciso de um espelho grande para me ver de corpo inteiro. Tentei me lembrar quando foi a última vez que tive um desses em casa, voltei até a adolescência e não encontrei nenhum… Talvez seja por isso que ando com uma visão meio distorcida de mim mesma, se você só consegue se ver da cintura para cima, o resto a gente vai esquecendo, não é mesmo?

Olhando aqueles espelhos enormes tive a impressão de estar vendo outra pessoa, decididamente eu não sou aquela mulher baixinha, gordinha de cabelos presos que insistia em aparecer em cada reflexo que eu olhava.

Eu lembro de mim uma menina bonita magricela e serelepe, de cabelos comprimidos, encaracolados e soltos emaranhados pelo vento. Onde é que ela foi parar, porque foi embora sem me avisar, sem me dar confiança?

Deve ter sido raptada e enclausurada dentro de algum espelho que perdi pelo caminho, em alguma daquelas lojas que colocam espelhos mágicos dentro dos provadores de roupa, alguns engordam outros emagrecem e a gente perde a identidade tentando acompanhar a moda.

Está tudo virando do avesso! Os óculos aumentaram mais 0,25º para perto e para longe, o corpo não reage ao frio e ao calor segundo nenhum padrão lógico, os ouvidos perdem a cada ano mais 5 decibéis de compreensão sonora, o peso vai aumentando e a altura diminuindo… Credo! Parece um rosário de Nostradamus.

Fui de “gatona” a “matrona” sem escala em uma década que não vi passar.

Talvez por características pessoais seja preciso formar essa visão tortuosa de mim mesma para enxergar que é necessário reagir antes que o tempo se encarregue de acabar com tudo.

O interessante é que quando acordo de manhã tenho a impressão que ainda sou aquela menina, mas parece que ao abrir os olhos a única opção que tenho de mim é usar esse manequim 48.

Essa semana li uma sitação que dizia;

Você fica velho quando possui mais memórias do que sonhos.

Wayne Calloway

Na hora pensei que ainda tenho muito tempo antes de envelhecer porque sonho muito mais do que fico pensando no passado, mas de vez em quando tenho essas recaídas que atrapalham meus projetos de encontrar um pouquinho de felicidade em cada dia de minha vida.

Acho que é isso. O que está faltando é arregaçar as mangas e ter coragem de fazer o que sei que me traz felicidade, porque o resto já tenho que fazer por obrigação mesmo.

Talvez deva começar pelo espelho de corpo inteiro, quem sabe olhando-me todo dia de manhã eu encontre o caminho de volta…

Marta

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