Temporada de festas e comemorações

Já demos início à temporada de festas e comemorações pelo Natal e passagem de ano. Confraternização no trabalho, na igreja e nos diversos grupos sociais aos quais pertencemos. Hora de trocar presentes e lembranças com os amigos, colegas e conhecidos naquela infindável brincadeira de amigo secreto/oculto, agora numa modalidade nova em que você pega o presente da mão do outro simplesmente porque gostou, ou pior porque quer ver seu “amigo” ir várias vezes à mesa pegar uma lembrança que poderá ser-lhe “roubada” de novo… Poucas vezes na vida eu disse a frase que vou escrever agora:

– Eu prefiro o tradicional!

Lembro-me da primeira vez em que participei dessa brincadeira no trabalho. Um mês antes o setor de Rh passou uma lista com os nomes dos funcionários para que assinalássemos quem participaria da festa de confraternização no final do ano, depois disso colocou uma caixa na recepção com nossos nomes em papeizinhos dobrados para que sorteássemos nosso amigo secreto. Durante o mês de dezembro era incentivado que nos correspondêssemos com essa pessoa para tentarmos descobrir o que ela gostaria de ganhar de presente com o cuidado de não nos deixarmos ser descobertos.

Essa brincadeira singela e saudável fazia um movimento enorme de integração entre as diversas equipes da fábrica porque após serem lidas as “cartinhas/bilhetes” eram trocadas e mostradas entre os colegas mais próximos que tentavam descobrir quem era nosso “amigo secreto” pela letra, pelo modo de escrever ou pela criatividade quando recebíamos mensagens cifradas feita com recortes de jornais e revistas. Quem seria aquele amigo tão criativo? O que ele poderia inventar para dar-nos de presente?

Hoje somos “avalanchados” com 3 ou 4 amigos secretos na mesma semana, porque todos querem fazer um encontro de confraternização na mesma data para acomodar suas agendas tão lotadas de compromissos e eu me pergunto qual a validade disso? Qual o sentido de participar desses eventos apenas por participar e marcar presença; porque não voltamos a fazer com que esses momentos de confraternização sejam oportunidades de integração real das equipes e entre equipes… Preferimos fazer 3 festas na mesma semana a promover um encontro do andar em que trabalhamos por exemplo. Fazemos festas em nossos setores para comemorarmos os sucessos no ano, mas porque não juntarmos todos da diretoria para nos conhecermos e saber o quanto estamos ligados, ao menos em relação aos objetivos de trabalho? Queremos festejar apenas com os mais próximos porque é mais confortável, ali sabemos que não vamos nos arriscar, damos um CD e escolhemos um CD na mesa, não importa de quem foi o presente, ele poderá ser “roubado” mesmo…

Essa nostalgia e melancolia têm uma razão de ser. É que me incomoda a aparente superficialidade com que as pessoas estão lidando com os sentimentos que brotam nas relações de trabalho ou sociais. Quem ainda se prende a essas preocupações tornou-se piegas e às vezes até mal interpretado. Digo isso por mim, que ainda faço parte do grupo de pessoas que são o que são, não importa onde estejam. Já é tão difícil ser “uma eu”, o que diria se tivesse que ser “uma diferente” em cada lugar que pertenço ou freqüento…

Acho que se houvesse hoje uma caixa de correspondência de amigo-secreto minha cartinha com minha identidade secreta seria descoberta logo nas primeiras linhas, porque é difícil demais para mim ser o que não sou!

Marta

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