Objetivo: Grama

A respeito de uma conversa com um colega de trabalho, quando dizíamos que este ano foi atípico devido à crise que infelizmente atravessou o Atlântico, enveredamos por discutir a responsabilidade que cada um tem na condução dos processos de trabalho.

Constatamos então que apesar das dificuldades externas sempre é possível avançar, pois existe um fator motivador intrínseco em cada pessoa que a impulsiona em busca de melhoria, desejos, sonhos, enfim de satisfazer suas necessidades.

 Acontece que muitas vezes as necessidades de cada um não estão alinhadas com as necessidades das organizações e ai é que cabe a intervenção da gestão de pessoas. Resgatar aqueles que perderam a motivação e o interesse pelo crescimento e desenvolvimento pessoal e profissional dentro da organização e, talvez mais importante, não deixar que aqueles que ainda se mantém focados, percam o rumo.

Como a conversa estava descambando para o “técnico explícito”, meu colega veio com a pérola: – Por isso é que eu faço como a grama!

É claro que eu perguntei o que ele queria dizer com isso, então lá vai a resposta. 

Disse-me ele que quando viveu no exterior por alguns anos  morou numa casa que tinha um gramado e uma de suas obrigações era cortar a grama a cada 15 dias no verão e na primavera. Ele subia no carrinho cortador de grama e ficava passeando pelo jardim até dar conta de nivelar todas as graminhas que estivessem acima do tamanho ideal. Com a entrada do outono a “cortação” de grama diminuía pela metade e finalmente quando o inverno chegava, mesmo sem neve, a grama simplesmente não crescia. Em sua percepção ele achava que estava diante da sabedoria da natureza. Como não havia sol para que elas pudessem se alimentar, era como se a grama hibernasse, consumindo o mínimo possível de energia para conseguir atravessar o inverno, o suficiente para mostrar-se presente e não morrer.

Fiquei muda imaginando a grama “pensando” em fingir-se de morta para garantir a própria sobrevivência” e pior, naquelas que queriam crescer ao sol e eram “decepadas” para ficarem do mesmo tamanho das outras.

Imediatamente fiz o paralelo com os colegas que se fingem de mortos para conseguirem atravessar a tempestade burocrática enquanto outros como eu, ficam insistindo em crescer mesmo quando não tem sol.

Inquietou-me o pensamento de que o importante é distinguir entre qual é o momento de crescer, desenvolver-se e avançar e qual é o momento de seguir a maré, andando no passo retido e apertado, esperando que as coisas mudem.

Será que depois de tanto tempo querendo ser flor eu terei de aprender a viver como uma folha de grama?

Ainda bem que o verde fica bem em mim…

Marta

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