Sentimento de pertença

Já ouvi esse termo várias vezes em cursos que fiz na área de RH.

– “É preciso desenvolver o sentimento de pertença nos colaboradores!”

Sei!

Para falar a verdade nunca havia internalizado isso e entendido verdadeiramente o que esse clichê quer dizer, pelo menos não até agora.

Sempre me senti pertencente ao lugar onde estava, fosse escola, trabalho, igreja, casa… Porque na verdade eu sempre estive inteira onde quer que eu fosse ou estivesse… Não sei bem quando esse sentimento foi esvaziado em mim, mas com certeza acentuou-se neste último ano, em todos os campos e cantos de minha vida, principalmente no trabalho.

De repente parece que estou solta, desprendida de qualquer laço que até então me atava a algum lugar, é estranha essa sensação pois ao mesmo tempo em que sei que continuo integrando os grupos e equipes, não me sinto mais confortável em estar em lugar nenhum. É como se estivesse na hora de trocar de pele.

Seria muito fácil dizer que a culpa é de Fulano ou Beltrano, que aliás devem carregar a culpa do mundo sobre os ombros… Eu até tenho os nomes, mas não me parece justo imputar-lhes responsabilidade sobre meus sentimentos, além do mais, essa coisa de “culpa católica” não cola muito em mim…

O que sinto afinal é um momento de reviravolta, de tomada de decisão, de mudança de curso, de rumo, de escolhas, só sei que é preciso mudar, agora… Não sei o que, nem para onde, nem porque, muito menos como, mas isso está tão nítido em meu coração que chega a doer!

Ao mesmo tempo em que esse sentimento vai tomando forma e força dentro de mim, vejo portas e janelas se abrindo como que a me mostrar novos caminhos para os quais devo olhar com atenção, mas antes é preciso me desapegar de vez dos laços que ainda me unem ao passado recente. Talvez não seja necessário cortar todos os vínculos, afinal nosso futuro depende do que fizemos até hoje, mas apenas o suficiente para não sentir remorso por ter deixado as raias por onde andei nos últimos 5 ou 10 anos.

Enfim o sentimento de pertença se traduz em mim quando estou no lugar certo, fazendo aquilo que entendo ser minha vocação e responsabilidade, completada pelo reconhecimento daqueles que me rodeiam, sendo aceita pelo que sou e pelo que posso oferecer em troca dessa aceitação e pertencimento.

Complicado explicar o que eu mesma não sei. A motivação está se esvaindo e a auto-estima ficando desfocada, como que se tudo estivesse envolto numa nuvem especialmente tecida para me confundir.

Me veio a mente um verso de Travessia, Milton Nascimento, em que diz: ‘Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar, estou só e não desisto, muito tenho pra falar”…  Talvez um pouco fora de contexto, porque meu sentimento não é o mesmo descrito na canção, mas está muito próximo da idéia de estar perdendo o lugar de referência…

Ontem na gravação fiz um esforço enorme para alcançar as notas, a afinação e tonalidade certas para interpretar as músicas que havia escolhido. Devia estar com apenas 40% de mim funcionando … O resto já deve ter se perdido pelo caminho… Fui convidada a assistir ao ensaio de um coral feminino, pequeno, mas elas cantavam com tanta alegria e emoção que me senti revigorada apenas por estar por perto.

Talvez seja isso, só isso o que esteja faltando, meu coração dizer-me onde é meu lugar. Eu o seguirei, seja lá onde quer que isso seja.

Até mais,

Marta

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