Prana de hoje

Hoje aproveitei que Pedro saiu cedinho para trabalhar, que Otávio também saiu mais cedo, que André estava dormindo e que Vanda ia demorar a chegar, para fazer meu exercício de respiração. Tomei meu banho, depois me sentei no meio da sala e segui todos os passos de todas as séries longas, médias e curtas, lentas e rápidas, superficiais e profundas que aprendi nesta semana.

Ao terminar continuei sentada esperando… até que me veio o pensamento de ir a praia cumprir com a minha tarefa de dar um presente a um desconhecido, e fui.  Sai sem telefone, sem relógio, sem os aparelhos de audição, sem brincos, sem colares  nem anéis. Fui só comigo mesma!

Havia meses que eu não ia a praia. Nunca acho tempo para esse passeio, sempre existe algo mais urgente e preciso para ser feito e a praia fica sempre para depois, até que eu simplesmente me esqueci dela.

Cheguei e resolvi andar até o fim da orla, fui até Buraquinho, andei pelas barracas vazias, bebi água de coco, me lembrando das recomendações sobre o prana. Durante a caminhada resolvi cumprimentar a todos que cruzassem comigo e comecei a dar Bom dia a todos. Sem vergonha nem constrangimento algum, algumas pessoas me sorriam de volta, outras me devolviam um meio cumprimento sussurrado, outros passavam e nem me ouviam, alguns encapsulados em seus fones de ouvido nem me viram passar.

Reparei que as pessoas sozinhas estavam fechadas em si, os casais se separavam quando apenas um me respondia, os grupos eram mais receptivos e respondiam com maior animo como se já estivessem esperando por isso. Após algum tempo comecei a receber Bom dia antes mesmo de abrir minha boca e entendi que era minha vez de receber, aceitei e me senti muito bem com isso.

Decidi voltar pela areia, pisando na água, e me lembrei do tempo que catava conchinhas com meus filhos pequenos. Nesse momento lembrei-me que Peixinho disse que hoje era a festa da formatura do curso e que devíamos levar um presente, depois corrigiu dizendo que era para levarmos uma lembrança, e agora eu havia percebido a diferença. Presente você compra, lembrança você já tem dentro de si. Então resolvi levar a lembrança dessa manhã maravilhosa que estava vivendo e comecei a pegar as conchas, búzios e corais que estavam no caminho na areia. Lembrei-me também de algumas poesias que escrevi sobre o mar e que dizem muito sobre meus sentimentos quando estou à sua frente.

Quando cheguei no carro vi pelo retrovisor que havia uma moto estacionada atrás de mim atrapalhando minha saída. Fui observar a situação, voltei e fiquei sentada esperando o que fazer, até que surgiu um rapaz e eu pedi que ele me ajudasse a manobrar pois não queria derrubar a moto, ele assim o fez, agradeci e sai pensando que em qualquer outro tempo de minha vida eu teria gritado de raiva, teria tentado tirar a moto do lugar e não teria pedido ajuda a um desconhecido. Fiquei impressionada com essa calma que me invadiu e a certeza de que receberia a ajuda que precisava.

Agora à tarde vou embalar essa lembrança para presente e dar a alguém na classe, espero que essa energia possa contagiar a quem recebê-la.

Marta

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