Festivais

Quem canta seus males espanta? Resolvi cantar.

Fui a um ensaio para testar algumas músicas que quero gravar para um CD experimental/alternativo, bem doméstico é claro, só mesmo para me divertir e fazer sofrer os amigos que terão de ouvi-lo, afinal amigo também é para essas coisas.

Procurei o estúdio de Luciano Prado, o músico que me acompanhou no Hino, e ele sugeriu que eu convidasse alguém para tocar um violão acústico para enriquecer minha voz, mas por enquanto o orçamento está curto então vou ficar só com seu piano, que para mim já está muito bom.

A experiência é fantástica. Já havia gravado antes algumas músicas com o coral, mas foi muito diferente. Naquela vez as decisões eram da maestrina, eu entrava no meu naipe, cantava meus trechos na partitura e pronto. Agora não, ele me pergunta se eu quero guitarra ou vilão, quais sopros prefiro, qual é meu tom, e eu fiquei olhando para a cara dele me divertindo, afinal quem ele pensa que eu sou, uma artista? No final deu para entrarmos num acordo, porque ele percebeu que eu só sei abrir a boca e cantar, o resto todo fica por conta dele. Mas ele continua na gozação de me chamar de cantora!

Quero cantar músicas que tenham letras inteligentes, com conteúdo e significado, melodias e harmonia que valham a pena serem ouvidas e que não estão na “boca do povo”, por isso lembrei-me do repertório dos festivais dos anos 60, 70 e 80, peguei as primeiras colocadas e aquelas que mesmo que não tenham sido classificadas se transformaram em clássicos. Lá estão Taiguara, Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Jobim, Geraldo Vandré, Vinicius de Moraes, Dori Caymmi e Nelson Motta, Edu Lobo e Gilberto Gil, Paulinho da Viola e Dominguinhos, Sá e Guarabira,Guilherme Arantes entre tantos outros, sem falar nas interpretações maravilhosas de Marília Medalha, Jair Rodrigues e um mundo de vozes que não se ouvem mais. Saudades…

Acho que tenho o privilégio de pertencer a uma das últimas gerações que puderam ouvir durante sua formação música de qualidade. Talvez até venha daí meu gosto eclético, porque em todos os lugares havia uma tendência sendo formada, lançada em desafio ao status quo.  A música embala a alma.

Lá no estúdio percebi finalmente a diferença entre cantar e interpretar. Cantar é muito fácil: pegue a letra, arranje alguém para te acompanhar e se você tiver um mínimo de sensibilidade conseguirá ficar no ritmo e na afinação, pronto você está cantando. Interpretar é diferente: após ouvir as várias gravações que fiz pude ir percebendo que a cada vez que ele mandava eu fazer de novo, não só minha voz se tornava mais forte e confiante mas a qualidade sonora foi apurando e, ao invés de eu ficar cansada, percebi que estava interpretando a letra, a música, o arranjo que ele estava me apresentando. Gostei muito do processo. Até o final do ano estará pronto.

Não vai ficar barato, mas vai valer cada centavo investido!

Marta

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s