Picolé de fogo

Meus pés são feitos de gelo

Para dar sustentação ao corpo

Que vibra e pende para  frente

Confiando nos joelhos que não dobram

Minhas pernas são feitas de gelo

Para segurarem o corpo

Que precisa saber onde está plantado

Tentando adivinhar onde as pernas o levarão

Meu ventre é feito de gelo

Onde estão guardados nas entranhas

Todos os sentimentos engolidos em seco

Por anos a fio a embrulhar o estomago

Meu peito derrete pelas emoções contidas

Num turbilhão efervescente de coisas mal resolvidas

Por desejos inacabados e sonhos mal sonhados

Querendo apenas ser ouvido e acarinhado

Minha cabeça anda em chamas

Com a mente em polvorosa

Enrolada nos braços que nascem e caem a todo instante

Com os olhos flamejantes e faísca pelas ventas

Numa energia que me consome e se renova de si mesma

Numa troca que me esgota e não me leva a caminho nenhum

Empurrando-me sem rumo pelo que chamo de vida

Dividida em duas, do gelo às chamas,

Que me traduzem por inteiro

Para aqueles que não têm medo de arriscar ficar perto

E se aquecerem com o sangue quente que corre em minhas veias

Ou se deliciarem com o frescor matutino que cobre ¾ de mim.

Marta

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