Oh my broken heart!

Algumas pessoas vivem de um modo que é preciso esgotar toda a emoção, para que consigam sobreviver à própria força motriz que as faz viver. Vivem pelo coração, se encantam, se apaixonam, amam incondicionalmente, sem reservas, sem medo de se exporem aos perigos que podem surgir ao se colocarem desnudas e desprotegidas, completamente abertas para o outro. A confiança, num misto de ingênua esperança e sabedoria divina, de que o amor por si vale o risco, mesmo sabendo da dor que pode surgir ao ter seu coração partido, machucado, despedaçado. Oh my broken heart!

Algumas pessoas vivem de um modo que é preciso esgotar todas as possibilidades lógicas, técnicas e politicamente corretas para que se convençam de que o amor existe, buscando explicações para cada sinal captado em suas antenas. Todos têm de ser decodificados, analisados, testados antes de se arriscarem num caminho sem segurança e confirmação de sucesso, transformando o que poderia ser uma chance de paixão ardente, num traque jogado na areia, murcho e molhado desperdiçando a energia sagrada do amor… Oh my broken heart!

A luta do bem contra o mal, do certo e do errado, do céu e do inferno, da razão e da emoção. Nessa dicotomia que nos obriga a excluir uma parte de nós para que consigamos nos formatar e sermos aceitos por aqueles que não conseguem compreender a dialética complexa do que seja ser Humano. Não em mim, por que elevo exponencialmente minha complexidade a cada emoção que me permito viver, a cada palavra que escrevo tentando dizer-lhes não se assustem comigo, eu não mordo, isto é, só às vezes em ocasiões especiais…Mas essa sou eu, aquela que lhe cumprimenta todos os dias pela manhã desejando-lhe bom dia, mesmo sem ter a menor idéia do que poderá acontecer no próximo minuto. Esse é o gosto da vida, a surpresa, o desafio, a chance de superação interna, remediando com mais emoções as decepções às quais estamos expostos a todo o momento… Oh my broken heart!

É preciso coragem para assumir-se emocionalmente dependente, ou ao contrário, simplesmente é preciso aceitar-se como uma pessoa que precisa visceralmente de amor para continuar vivendo. Não importa de onde venha, o amor aquece, conforta, ilumina os caminhos de quem o carrega, de quem o recebe, de quem o oferece sem cobrança nem esperança de receber nada em troca, apenas pelo prazer de amar, mesmo sem ser correspondido… Oh my broken heart!

Em nossos relacionamentos as cobranças acumulam as decepções porque acabamos sufocados pela convivência que estabelecemos na obrigação mútua de “trocar amor” e essa monetarização corrói o sentido singelo de amar e ser amado simplesmente pelo que somos. Quando temos de atender a expectativa do outro deixamos de ser espontâneos em nosso sentimento e as emoções nos sobrecarregam com deveres e compromissos que não podemos cumprir sem deixarmos de ser honestos com nosso coração, que vai ficando pequeno, atrofiado, miudinho, calado, sofrido até apagar-se por completo, deixando de iluminar e aquecer-nos por dentro… Oh my broken heart!

E ainda assim, mais uma vez, desejamos amar e sermos correspondidos, como crianças que esperam pelo presente prometido pelo bom comportamento. Tentando entender cada sinal que o outro emana, mesmo que ele esteja apenas dizendo afaste-se, cansei-me de ti, fique longe, conforme-se com  sua insignificância e não sejas inconveniente pedindo o que não lhe pertence ou não quero lhe dar… Oh my broken heart!

E maior loucura ainda é querer passar da racionalidade  trabalhada por anos a fio como uma couraça de proteção, de repente, para os comandos do coração. Para entender e atender o que o coração nos pede é preciso um trabalho árduo de desapego de si, porque ele exige que entreguemos a nossa própria vida em troca de suas batidas vigorosas. Nosso coração não aceita meios termos, acordos de faz de conta. Ele é imperativo! Ele ama, ele sente, ele chora, ele dói, ao menor sinal de desprezo. Ele sorri, ele se abre, ele canta, ele se apaixona, ao menor sinal gentil de reconhecimento do outro, de sua presença quieta e quente, a desejar-lhe que venha e o ame do mesmo modo e intensidade para que sejam felizes juntos …

Oh my broken heart!

Marta

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