Liberdade ingênua

Ainda sobre a liberdade, um pensamento recorrente me trás a sensação de que é preciso ter certa dose de ingenuidade para permitir-se ser livre.

Estamos ligados cada vez mais no ambiente, coisas e pessoas que nos cercam e a cada ação, em qualquer direção que sigamos, exige de nós um posicionamento e decisão que em si cerceia nossa liberdade de recuar.

É preciso ser então livre de coração para não sentir as amarras com as quais nosso dia tenta nos prender à realidade que vivemos. É preciso ser ingênuo e acreditar que podemos sim, ir e voltar cada vez que nosso coração nos diz que o caminho está errado, sem pena ou receio de parecermos infantis e indecisos.

Muitas vezes percebo isso em mim. Principalmente quando pessoas à minha volta estão preocupadas com coisas que fogem ao controle pessoal de cada um e sofrem pela sobrecarga que acumulam por tentarem entender e resolver assuntos que pensam ser de suas alçadas, mas que são, em realidade, o resultado de conjunturas e cenários externos sobre os quais não têm nenhum poder. Eu demoro a perceber essa comoção geral porque estou ligada em outra freqüência, com outro foco de ação.

Às vezes penso que vivo fora da camada da realidade que a maioria das pessoas está concentrada, como se houvesse um substrato numa densidade mais fina que me permitisse sobrepor ou decantar alguns fatos e desse modo voltar minha visão apenas para aqueles acontecimentos que me dizem respeito.

Alguns pensam que sou desligada, outros que não me interesso pelos assuntos gerais, outros até que sou ignorante, mas poucos entendem que é uma opção, um escudo, uma proteção para garantir que meu Eu ingênuo continue a existir.

Para que assistir as tragédias que passam na TV diariamente invadindo nossas casas e vidas, para que acompanhar freneticamente aos boletins de queda da bolsa, para que saber quantas pessoas pegaram a gripe suína ou aviária se não nos preocupamos em visitar nosso vizinho que quebrou o braço, se é mais importante saber o que aconteceu na casa do BBB ou quem ficou com quem no último capítulo da novela ao invés de perceber aquele que está próximo e nos ama em silêncio?

Essa ingenuidade de coração não pode ser confundida com ignorância, nem com desligamento do mundo real, é apenas uma opção de vida. Do mesmo modo como é diferente sentir o vento soprando em nosso rosto à beira mar ou tê-lo entrando pelos poros ao andar de moto. A intensidade de nossa percepção é o que define as nossas escolhas.

Eu tenho escolhido viver o que meu coração manda. Tentado encontrar paz interior, mesmo que o mundo à minha volta esteja a ponto de desaparecer. Sempre há um recomeço numa volta acima.

Mesmo que você não tenha entendido nada do que eu disse, leia de novo, feche os olhos e pergunte ao seu coração o que é que ele pensa/sente a respeito. Deixe que ele fale com você e siga seus conselhos. Sua intuição pode estar esperando um momento propício para lhe surpreender. Respeite-a, pois ela não é outra coisa senão seu lado de dentro querendo se comunicar com você.

Marta

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