Oh skindô skindô

E as coisas continuam acontecendo sem que eu interfira, vou apenas seguindo meus instintos e ver onde isso vai dar…

Hoje fomos a um almoço de confraternização com um grupo novo ao qual estamos nos integrando. Eu conhecia apenas os donos da casa e mais uns três casais, os demais nunca havia visto antes. Quero esclarecer este ponto para que vocês entendam o inusitado dos acontecimentos que descreverei a seguir:

Logo na recepção tinha uma mesa com fantasias que tínhamos que escolher, vestir, encarnar o personagem e ficar com ela até o final da tarde. Escolhi uma tiara de borboletinhas vermelhas (uma graça por sinal), Otávio pegou um chapéu com estampa musical e uma gravata cor-de-rosa de bolinhas, que diga-se de passagem ficou um conjunto muito interessante. Para falar a verdade não esperava nada tão performático, mas gostei da descontração do pessoal.

Quando os convidados começaram a chegar já era tarde, como sempre. Foram se acomodando – mulheres para um lado, homens para o outro.

O almoço saiu depois das três da tarde e enquanto meu marido ia se enturmando no clube do bolinha, eu procurei conhecer as esposas. Porém, alguma coisa me incomodou, eu estava achando meio surrealista meu marido estar tão a vontade e eu ao contrário, estar tendo dificuldade de me relacionar com a mulheres… não parecia eu…

Depois de devidamente alimentados, um pequeno grupo começou a se organizar numa batucada. Sentiram o drama? Dois violões, dois timbaus, um afoxê, chocalho e dois tamborins… Começaram a cantar músicas antigas de carnaval, samba enredo, partido alto, chamaram as respectivas mulheres para fortalecer a cantoria e eu comecei a me animar…

De repente, sem que eu percebesse meus passos, já estava cantando com a turma; mas era uma bagunça e um desencontro tão grande que estava me deixando desorientada. Meu aparelho estava apitando nos ouvidos e tive que me afastar um pouco, e foi ai que eu vi um tamborim abandonado numa mesa!?!

Não resisti, foi instintivo, sem pensar… Passei a mão no tamborim e sua baqueta, cheguei perto do afoxê, respirei fundo e fui.

Pique, repique e eu estava batucando na roda de samba.

Me lembrei de todos aqueles desfiles de escola de samba do RJ em que eu ficava babando em frente a televisão pensando “um dia eu vou estar nessa avenida”. Naquela época, enquanto o povo queria sair fantasiado eu queria era sair na bateria com um agogô ou um tamborim nas mãos. Afinal 12 anos de coral serviram para alguma coisa!

“Passaram anos, muitos anos, ela no céu ele no mar”*, mas aconteceu… (Igual àquele dia em que fui surpreendida pelo Limoncelo). Hoje atendi ao chamado de meus desejos, me lembrei de todos os movimentos que via na TV e marquei o samba direitinho… Oh skindô, skindô.

Depois não tinha mais como sair, estava dando a hora de ir embora, chegando a hora da missa e eu lá me esbaldando na batucada! Mas enfim, consegui largar o tamborim e voltei a realidade. Não sei se por gentileza ou sinceridade, sei que recebi alguns elogios dos “bambas”. Valeu rapaziada, agora vocês já sabem que “tem mulher no samba”…rsrs

Meu marido não gostou muito dessa história, mas acho que ele já se conformou com minhas maluquices e resolveu deixar para lá e não tocou no assunto. Foi melhor assim.

Agora é só aguardar as fotos para a posteridade…
Marta

*Estrela Do Mar
Marino Pinto e Paulo Soledade
Um pequenino grão de areia
Era um eterno sonhador

Olhando o céu viu uma estrela
Imaginou coisas de amor

Passaram anos muitos anos
Ela no céu ele no mar

Dizem que nunca o pobrezinho
Pôde com ela se encontrar

Se houve ou se não houve
Alguma coisa entre eles dois

Ninguém pode até hoje afirmar
O certo é que depois

Muito depois
Apareceu a estrela do mar

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