Carnaval II

E não é que eu fui ver o carnaval?

Meus amigos de Natal chegaram para passar o feriado aqui em casa, não tanto pelo carnaval mas mais para matarmos saudades das famílias. Nossos filhos cresceram juntos, quase como primos/irmãos entre brincadeiras e correrias construiram uma amizade muito bonita que se estendeu para nós, pais. Somos de fora: eles de Minas e nós de São Paulo e encontramos na Bahia um bom lugar para criarmos nossas famílias. Eles seguiram nordeste acima e nós ficamos com as saudades… De vez em quando vamos até onde eles estão, de vez em quando eles voltam para cá e assim mantemos a amizade.

Ontem fomos ver o carnaval na Barra, divertido mas cansativo.

Ficamos no Morro do Cristo vendo a festa e eu, com essa minha obsessão sociológica, acabei me concentrando em observar a movimentação do povo. Quem vai para brincar não percebe toda a logística “natural’ que acontece entre aqueles que vão para trabalhar, e trabalhar muito nesses 7 dias de festa. Famílias inteiras acampam nas ruas para garantirem os melhores lugares para os pontos de venda. Cerveja, refrigerante, água, churrasquinho, coxinha, tabuleiros de acarajé e cocada entre outros mil badulaques que passam pela avenida no meio dos foliões e do povo trabalhando sem parar um minuto, porque é ali que eles fazem dinheiro. É de festa em festa que muitos deles se mantém durante o ano. Acampados no Morro do Cristo, mães, pais, crianças e velhos, cada um com sua função na divisão do trabalho nesse “jeito baiano de ser” que dá certo no final. É a vida da cidade se auto-regulando entre os opostos, a cada instante em nossas vidas.

Realmente baiano gosta de festa, mas com certeza o baiano sabe trabalhar e se divertir ao mesmo tempo.

Do outro lado estão os foliões, nos blocos, na pipoca, nos camarotes, em cima dos trios… loucos para “beijar muito”, beber e fazer tudo que desejam durante o ano, mas se seguram por um fio de bom senso que a ordenação da sociedade impõe. Sem falsa moral, a molecada abusa mesmo… Assusta a quem tem filhos adolescentes como eu vê-los mudar o comportamento quando vestem aquele abadá. Quando se juntam, o poder do grupo supera os conselhos maternos e quem é que segura? Essa teoria do poder do grupo já foi debatida e não serei eu a acrescentar-lhe mais linhas. A gente reza e espera eles voltarem para casa inteiros.

Lá no meu ponto de observação eu e minha amiga Silvana ficamos admiradas, indignadas e embasbacadas com a falta de cerimônia com que os jovens simplesmente levantam as saias ou descem os shorts para satisfazerem suas necessidades fisiológicas aonde der, não teve um coqueiro que escapou de ser batizado por um rapaz desesperado. São uns 4 km do inicio ao fim do circuito e parece que nós estávamos exatamento no ponto de “desague” dos blocos. Impressionante você ver um filho de Gandhi levantar a sai e mandar ver… belo e tranquilo, olhando para o mar, apenas preocupado em não molhar a sandália… e a “tia” do lado que se dane! Eu fiquei besta!!! Espero não passar por outra dessa tão cedo. Será que os meus meninos também fazem isso? O pior é que acho que fazem mesmo…E as meninas? Nem queiram saber as cenas que nós e toda a população presente viu e se divertiu comentando. Ainda bem que eu não tenho meninas em casa.

Enfim, fomos e voltamos e hoje finalmente vamos a praia! Pegar um pouquinho de sol e comer peixe frito com farofa, porque de carnaval eu quero distância por mais alguns bons anos…

Abraços a todos,
Marta

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s