Viagem

Como não posso viver só de Sto Amaro, outro dia voltando do trabalho tocou uma música no rádio que há muitos anos não ouvia e isso me fez pensar e relembrar alguns bons momentos de minha juventude…

Aproveitando a maré de Maysa lembrei que gosto dessa cantora desde criança. Pode parecer estranho para quem não viveu as décadas de 60 e 70, mas naquele tempo se fazia música de qualidade, com letra, arranjos e harmonia de verdade, além dos intérpretes com vozes que valiam a pena parar para ouvir.

Conquanto que as letras de Maysa eram fortes e profundas demais para uma criança, sua voz era suficiente para fazer meu coração entender que aqueles sentimentos eram verdadeiros, e mesmo sem o saber, que muitos estariam presentes em minha vida séculos depois.

Como eu sou adepta da bossa nova e da boa MPB, Maysa faz parte de minha vida e tem lugar de destaque em meu cancioneiro particular. Além de suas músicas clássicas como “Meu mundo caiu”, existe uma em que ela canta o amor, a poesia e a liberdade, que para mim se tornou um hino de esperança quando sinto meu coração apertado.

Procurei pelo Mp3, mas essa música é de 1972 e acho que vou ter de cair dentro de algum sebo para procurar por esse LP. Fico torcendo para lançarem alguma coletânea que inclua “Viagem” para meu deleite… Por enquanto fiquem com a letra… beijos

Viagem
João de Aquino / Paulo César Pinheiro

Oh! Tristeza, me desculpe;
Estou de malas prontas.
Hoje a poesia veio ao meu encontro,
Já raiou o dia, vamos viajar…
Vamos indo de carona na garupa leve
Do vento macio, que vem caminhando
Desde muito longe lá do fim do mar.
Vamos visitar a estrela da manhã raiada,
Que pensei perdida pela madrugada,
Mas que vai escondida, querendo brincar.
Senta nessa nuvem clara, minha poesia,
Anda, se prepara,
Traz uma cantiga,
Vamos espalhando música no ar…

Olha quantas aves brancas,
Minha poesia,
Dançam nossa valsa
Pelo céu que o dia
Fez todo bordado de raios de sol…
Oh! Poesia, me ajude.
Vou colher avencas, lírios, rosas, dálias,
Pelos campos verdes que você batiza
De jardins do céu…

Mas pode ficar tranqüila,
Minha poesia,
Pois nós voltaremos numa estrela guia,
Num clarão de lua, quando serenar.
Ou talvez até, quem sabe,
Nós só voltaremos num cavalo baio,
No alazão da noite,
Cujo nome é raio,
Raio de luar…
Marta

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