Afrodescendência

É uma coisa muito louca a nossa mistura racial. Sim porque não venham me dizer que tem alguém de sangue puro nesse país, por que não tem… Eu por exemplo sou 50% italiana e sabe-se lá que mistura foi feita antes de se chegar até meus avós. De todo modo carrego genes caucasianos.

Os outros 50% são resultado da miscigenação entre negros, mais uma parte européia e provavelmente uma pitadinha de índios, porque nunca se sabe não é mesmo?

Matematicamente falando, deveria ter muito mais características caucasianas do que afrodescendentes, mas não é assim que sou. Está tudo tão misturado dentro de mim que parece uma Babel cultural que acabou dando certo.

Essa conversa surgiu de um pensamento que tive agora pouco lá na festa do padroeiro. Hoje a atração foi um grupo da comunidade de Quingoma, já ouviram falar? Tudo bem, eu sei que não.

Essa comunidade é afastada do centro da cidade e mantém muitos costumes tradicionais da cultura negra. Apresentaram um samba de roda, percussão com os homens cantando letras simples e rápidas quase como cantigas de roda de crianças e as mulheres dançando, entrando e saindo da roda.

Isso todo mundo conhece, mas o que me chamou a atenção foi que isso faz parte da vida daquelas pessoas. Não foi ensaiado para dançar na praça, está no sangue deles e de muitos outros que estavam lá para assistir, assim como eu.

Não sei como ou o que me segurou dentro da barraca de bebidas só sei que não entrei na roda. Acho que em meu subconsciente a conversa com o cônsul ainda está reverberando e os 50% italianos não se assentaram dentro de mim. Tente imaginar meus pés dançando, o corpo balançando ao som do batuque e da cintura para cima parada querendo recuperar a compostura… Essas coisas só acontecem comigo mesmo…

Peguei-me observando o sapateado das mulheres, a alegria da dança, o desafio e a competição subjacente com que elas seqüenciam a roda e conclui que quando danço samba, mesmo sem ser numa roda, meus passos são muito parecidos com aquele gingado. Isso só pode ter vindo no sangue!

Mas e quando eu invento de cantar uma ária lirica??

Ai…ai…ai…
Marta

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