Houve uma vez…

Decididamente eu não sou uma pessoa convencional. Até posso ser certinha e enquadrada às vezes, mas isso machuca tanto que não resiste muito tempo dentro de mim, ou simplesmente não cabe no quadrado delimitado. Então, daquela conversa de mim comigo mesma de ontem resultou lembranças que me incomodaram durante a noite toda. Coisas que vão e voltam e não sossegam enquanto não forem resolvidas. Pareceu leitura de roteiro de teatro, onde o diretor manda voltar tantas vezes quantas entender ser necessário para que os atores internalizem a história e decorem o texto que será lido e interpretado várias vezes no palco. Assim foi, e eu me lembrei de quando resolvi pedir ajuda para entender o que estava acontecendo comigo.

Primeiro aceitar que precisava de alguém de fora para me ajudar a entender o lado de dentro, não foi muito fácil, mas consegui. Depois encontrar alguém em quem confiar para contar esses segredos escondidos de mim mesma. Enfim, escolher abrir meu coração para um assistente /espectador na coxia de minha vida. Não podia ser nada convencional, nada que me mostrasse caminhos pré-concebidos, tinha de ser uma coisa a ser construída por mim, pois eu sabia que se assim não o fosse, seria tempo e dinheiro jogados fora. Não queria nada performático, nada que me fizesse sentir mais ridícula do que sei que sou. Procurei por uma alternativa heterodoxa.

Fui buscar no antes de tudo, no “houve uma vez” de minha história. Se essa vida não era suficiente para que eu me entendesse como gente, eu procuraria em outras. Arrumei as “malas” com meus sentimentos e medos e fui.

Muitas vidas, muitas histórias, muitos enredos entrelaçados, muitas pontas soltas para serem amarradas, aparadas, ligadas umas nas outras para formar essa eu que preciso conhecer hoje. Uma experiência incrível que quero repetir quando meu coração estiver pronto para mais essa batalha interna.

De tudo que vi, vivi e senti restaram algumas dúvidas sobre a metodologia e eficácia da técnica utilizada, afinal eu ainda estava aqui me perguntando se aquilo era outra vida, uma lembrança de outra vida, uma projeção de meu subconsciente, uma mudança de freqüência cerebral, um desejo de que as histórias imaginadas fossem verdadeiras, uma fuga sem destino para dentro de minha mente, uma experiência exotérica, uma perda de tempo sem fim? A resposta foi simples e singela:
– Ajudou você a se encontrar e se entender? Então aceite!

Aceitar não faz parte de minha personalidade, mas diante dos sentimentos que estava experimentando, era a única resposta que fazia sentido.

Se é que alguma coisa faz sentido em minha vida… nessa ou em qualquer outra que eu já tenha vivido.
Marta

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