Dulcinéia onde estais…

Dom Quixote, além de ser o cavaleiro andante, representa de certo modo uma parte de minha personalidade configurada naquele que busca os sonhos, mesmo que sejam impossíveis, afinal isso é só um detalhe.

Dulcinéia, sua amada, existe apenas em sua imaginação e para desespero de seu fiel escudeiro Sancho Pança, é por ela que ele luta contra os gigantes, mesmo que para o mundo não passem de moinhos de vento.

Aldonza é a pessoa real que não consegue ver em si a beleza que Quixote diz-lhe existir na face de Dulcinéia.

Como Aldonza, eu procuro, mas é dificil ver em mim o esplendor de Dulcinéia, principalmente quando a voz da razão fica me dizendo: se ele confunde moinhos de vento com gigantes, ele pode dizer qualquer coisa sobre você… porém, às vezes, quando estou desprevenida percebo Dulcinéia olhando pela janela de meus olhos.

Imaginem a confusão que esses quatro fazem em minha cabeça. Hoje foi a vez de Dulcinéia, ela abriu a porta, saiu, e jogou a chave fora!

Sem perceber deixei que ela tomasse conta de mim, por breves minutos, mas que foram suficientes para me energizar pelo resto do dia. Hoje, durante o Congresso de RH do qual estou participando, peguei uma mensagem no ar que estava precisando encontrar um destino em mim, sem pensar aceitei um convite/desafio e quando eu menos esperava estava cantando num palco à frente de mil pessoas, fácil assim. Quem sabe cantar? Levantei o braço. Quem sabe cantar bem? Levantei o outro braço. E fui. Depois veio a análise da atitude – que era preciso muita auto-estima para enfrentar a situação, ter confiança de saber fazer a coisa bem feita, assumir o desafio na frente de colegas e pessoas desconhecidas. Gente eu só fui cantar… fazer o que realmente sei e gosto de fazer… Porque tanto alarde?

Agora, sozinha em casa, estou pensando que foi tudo por causa do passeio de minha Dulcinéia, fazia tempo que ela estava trancafiada em algum compartimento secreto dentro de mim. Acho que estou aprendendo a soltá-la devagarzinho, um pouco a cada dia, até que eu mesma ataque todos os moinhos de vento que povoam minha cabeça. Também preciso aprender a ouvir elogios e acreditar que sejam verdadeiros, mas essa é outra história.

Só para lembrar: quando Aldonza irritada diz a Quixote que pare de chamar-lhe de Dulcinéia, que ela não é sua formosa, ele responde-lhe com música, que segue para seu deleite.

Sonhar…Mais um sonho impossível
Lutar…Quando é fácil ceder
Vencer…O inimigo invencível
Negar…Quando a regra é vender
Sofrer…A tortura implacável
Romper…A incabível prisão
Voar…Num limite improvável
Tocar…O inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

Isso em espanhol é uma LOUCURA.

Beijos à todos
Marta

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Um comentário em “Dulcinéia onde estais…

  1. Marta, vc é demais… sonha projeta e conquista… este blog é mais uma conquista… ficamos o tempo todo dizendo vou fazer….e…. nada acontece… parabens pela iniciativa, e… pelo texto bem redigido e sensivel…
    Marcelo e silvana

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