Estoque de idéias

Não deu para escrever hoje, por isso vai uma reflexão do estoque de poesias.

Não que eu tenha desistido, mas é que meu coração se acomodou, entristeceu. Desanimou de sonhar e desejar a paixão, o romance e a aventura. Sinto-me feia, velha e gorda, tudo em excesso como sempre. A ansiedade pelo futuro me assola, impedindo-me literalmente de viver o presente. Sinto que minha vida está virando de cabeça para baixo, profissional, familiar e individualmente. Internamente é como se eu não controlasse mais meu comportamento. Vejo-me fazendo coisas como se assistisse a outra pessoa, a qual recrimino, mas não interfiro em sua ação.

A virtude da paciência nunca foi meu forte, mas no momento a impaciência toma conta de mim, é uma reviravolta interna, como se pudesse me apartar do mundo e me isolar para não me aborrecer. Uma fuga talvez, mas como se fosse necessário um tempo para que eu me recomponha, e me enxergue novamente eu, ou outra eu ou seja lá quem eu seja daqui para frente.

Retomar os projetos que não realizei parece um bom caminho, porém não sinto o desejo real de seguir por ai. Minha paixão sempre foi pela novidade, pelo que o mundo iria me trazer no próximo ciclo. Todavia o que venho sentindo é um fastio com essa espera, sinto necessidade de decidir, de encontrar agora a melhor opção. Apesar das opções que já foram pensadas e não realizadas ainda parecerem muito boas, dentro de mim sei que se não as escolhi na época em que surgiram não será agora o melhor momento. Que caminho seguir então?

Das escolhas que fiz consigo separar as boas das ruins, mas sei que não seria quem sou hoje se não as tivesse posto em prática. Então como saber o que foi realmente bom e o que foi ruim para mim? Quando escolhi a segurança deveria ter me arriscado? E agora preciso de segurança ou arrojo? Saio para encontrar caminhos novos ou espero para ver o que vai acontecer?

A paranóia pela mudança de décadas na vida não me atingiu ainda. Não senti a virada dos vinte para os trinta, muito menos a entrada nos quarenta. No entanto, a passagem pelos quarenta e cinco parece que trouxe uma inquietação que ainda não consegui identificar, não é físico, mas mental/emocional. Trouxe o questionamento mais sério da procura, acentuando as dúvidas que sempre tive, mas que não me incomodavam, até porque não tinha tempo de pensar no assunto.

Talvez seja essa questão, o tempo. Como ocupar melhor o tempo, no que aproveitar o tempo que tenho. Cada vez que penso o que faria se pudesse voltar atrás, vou mais longe nesse retrocesso, antes pensava “se eu pudesse voltar aos trinta”, agora penso “se pudesse voltar aos quinze”, sabendo de tudo é claro: das escolhas, das conseqüências e das responsabilidades. O que faria então? Todas as opções projetam caminhos que não haviam sido pensados na época, mas não percorrem roteiros realmente novos porque afinal sou eu quem os está imaginando, sobre a mesma velha base de dados, sobre os mesmos prismas de percepção.

O ponto chave então deve ser rever a base de dados e resignificar a experiência, para poder decidir e enfrentar o novo. De onde virão os dados novos, de fora ou de dentro?

Ai, ai….
Marta

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