Não bastasse o trânsito caótico, insuportável e inacreditável da cidade, a frente fria que trouxe toda a chuva do mundo em apenas uma semana sem dar chance nenhuma de molhar um pouquinho do sertão, ainda temos a greve dos rodoviários para tumultuar e dificultar mais o direito de ir e vir do cidadão soteropolitano! 
Nessa conjuntura sofrida e extenuante de querer sair de casa para ir trabalhar, estudar, ir ao médico, ao dentista, ao shopping… nós, pobres motoristas (falo por mim, porque a experiência dos pedestres ensopados está além do que posso imaginar e registrar neste post), nos encontramos reféns de uma cidade que está a beira do colapso urbano, sem dono, sem pé nem cabeça, indo para o buraco literalmente….
Ai que felicidade quando consigo vencer os 25 km entre minha casa e meu trabalho em 2 horas.. Oba! Passei a 2ª marcha…uh..uh..
Agora a novidade de chegar ao trabalho e se sentir no meio de um deserto porque as pessoas só vão aparecendo depois das 10:00h da manhã, que é quando cada um consegue vencer os seus kms de sofrimento diário, presos no congestionamento nosso de cada dia. Congestionamento não, parece uma procissão, um mar de carros encostados lado a lado, buscado uma saída para qualquer lugar que não seja ficar preso no meio da rua.
No trânsito tem de tudo, fico olhando pela janela e me divertindo, porque afinal a gente tem de encontrar alegria em tudo o que faz, mesmo que seja no sofrimento urbano. Você olha para o lado e tem gente lendo jornal, a outra passa batom, outra penteia o cabelo, já vi uma mulher passando rímel e se maquiando, gente ouvindo música, gente dançando, gente rindo, gente brigando, gente com raiva, até gente dormindo… O carro da frente anda um metro e ele fica parado…. sonhando… pensando…. Acho que vou criar uma comunidade no Facebook “ Prisioneiros do Trânsito” e vai bombar de acessos….
Daí, quando finalmente você chega no destino, louca para tomar um café, cadê a garrafa com o cafezinho quente? Não trouxeram, não tem… A moça do café não conseguiu vir trabalhar porque não tem ônibus… Oh meu Deus, o café não, mandem buscar a moça em casa, a gente faz uma vaquinha e paga o taxi….
Aqui na minha sala nós resolvemos o problema de um modo mais efetivo, trouxemos uma cafeteira elétrica doméstica! Eu trouxe a máquina e Carminha o café.
Resolvemos o problema… quase…
Acontece que nenhuma de nós sabe fazer café, esquecemos de trazer a receita e acabamos usando todo o pó que tínhamos tentando acertar o sabor. Como sempre digo, todo projeto precisa de 60% de planejamento, 20% de boa execução e 20 de monitoramento e controle… rsrs… Foi dez a zero para o café.
Eu trouxe a cafeteira sem o filtro, então tivemos que improvisar com uns guardanapos de papel que por acaso tínhamos numa gaveta;
Tentamos fazer o café, mas o pó se misturou completamente na água e vazou tudo pelo guardanapo e não teve quem conseguisse beber aquilo… Resultado: passamos a manhã brigando com a cafeteira e não conseguimos nem um golinho se quer.
Pedimos a Cristiane que trouxesse o filtro depois do almoço, pronto problema resolvido!
À tarde, todas empolgadas com a novidade e exclusividade de termos uma máquina só nossa para o cafezinho, fizemos uma nova tentativa, agora com o filtro.
Mas e a receita? Cada uma tinha uma receita completamente diferente da outra e decidimos que a proporção devia ser 4 colheres de sopa de pó para um litro de água. Como a cafeteira é para meio litro usaríamos 2 colheres, mas não tínhamos colher de sopa e sim aquelas de plástico de aniversário. Calculamos então que cada colher de sopa deveria ser umas 4 colherinhas daquelas e usamos 8.
Quando colocamos o pó no recipiente da cafeteira vimos que sobrou só um pouquinho no pacote e resolvemos colocar tudo de vez porque assim ficaria um café fortinho e não teríamos de guardar só um restinho no pote. E vamos lá!
Colocamos a água, ligamos e ficamos esperando ansiosas nosso bem merecido cafezinho. Oh cheiro maravilhoso!
- Mas espera ai, está passando tudo, cadê o pó que não fica no filtro?
- Carminha que café foi esse que você comprou?
- Café solúvel, o melhor que tinha…
Calma, muita calma nessa hora, vamos ver se dá para consertar…
Tiramos a jarra com o café feito, jogamos mais da metade fora, enchemos o recipiente de água da cafeteira, ligamos de novo e jogamos mais água quente no café…
Agora sim… um delicioso café super forte solúvel.
Só deu para beber com leite em pó misturado, mas tudo bem, café é café…
Já ficou combinado que vamos trazer o pó certo e a receita certa para a cafeteira, e mesmo que os ônibus voltem e a mulher do cafezinho apareça na segunda feira nós não vamos desistir de nosso café particular…
Aceitam um cafezinho?










































