27/11
Voltamos a MG, dessa vez para o aniversário de um amigo de Otávio.
Viemos em comitiva de 05 casais de SSA e nos juntamos a outros que vieram de BH, Uberlândia, Contagem, além de toda sua família em sua cidade natal. Tomamos conta do hotel do lugar, foi uma festa à parte!
Nossa ida foi uma maratona porque fomos a Viracopos e voltamos a Confins, mais 100km de carro até Paraopeba. Chegamos às 21:30h, na hora certinha de ir ao baile que estava acontecendo na cidade vizinha e aproveitamos para começar a comemorar o aniversário.
No sábado a programação foi toda em torno da grande festa no clube de Paraopeba, conhecemos uma infinidade de irmãos, sobrinhos e afins. Todos queriam conhecer os amigos que chegaram da Bahia, todos os lugares em que íamos éramos tratados com carinho e atenção especial, depois percebemos que além da receptividade natural do mineiro, nosso amigo era uma pessoa tão querida e especial para essa família que esse amor estava sendo estendido a todos os que vieram para sua festa.
Milton Freitas, 70 anos! De algum modo sua vida move e impulsiona, mesmo a distância, todos daquela família - dos irmãos mais velhos que o admiram aos sobrinhos-neto que ouvem histórias sobre ele e ficam esperando para cercá-lo e conferir se é tudo verdade ou apenas causos. Pelo que vimos, nosso amigo é um homem que conseguiu moldar os jovens pelo exemplo. Admirável!
Depois do baile fomos dormir já de madrugada para nos preparamos para o segundo dia da festa…
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28/11
Durante o almoço de sábado meu dedo começou a latejar novamente e como uma colega também não estava se sentindo muito bem por estar com uma crise de asma, nosso amigo aniversariante resolveu levar-nos ao hospital para dar uma passadinha no médico para ficarmos “novas em folha” para a festa da noite.
No hospital enquanto esperávamos para ser atendidas, surgiu uma urgência com a chegada de uma mãe que trazia seu filho que acabara de se afogar na piscina. Isso transtornou a todos os presentes, pacientes, médicos e funcionários. A criança desapareceu hospital adentro e nós ficamos inertes por uns instantes ate tomarmos ciência do que realmente estava acontecendo. A mãe desesperada gritando pelo filho, a tia chorando sem controle e eu, sem perceber nem me dar conta, levantei e abracei as duas puxando-as para o banco. Agachei-me segurando as mãos das duas e comecei a rezar dizendo a elas que fizessem o mesmo. Acho que falei com tanta energia que por alguns instantes consegui chamar a atenção delas e dizer que pedissem a intercessão de Nossa Senhora. Ficamos unidas durante todo o tempo em que o menino estava sendo atendido. Nesse tempo, enquanto eu rezava e chamava por Maria, em minha cabeça, algo me dizia que o menino havia chegado morto, que eu estava rezando pela mãe.
Esses pensamentos me fizerem sentir uma angústia enorme como se eu tivesse fechado meu coração para não sentir a dor dela e poder ficar “de fora” para dar-lhe força. E ao mesmo tempo pensava, quem sou eu para me arvorar a tentar aliviar a dor dessa mãe?
No desenrolar dos acontecimentos ficamos sabendo que a família estava toda envolvida na festa de aniversário de uma das crianças, não sei se o próprio menino. O pai estava fora na cidade vizinha e ainda não sabia do ocorrido e a mãe estava mortificada se culpando pelo acontecido. Uma tragédia. Não fosse o acidente em si, ainda pensava no peso de tantos simbolismos que assolarão essa família por muitos anos.
Quando a enfermeira voltou e perguntou o nome e a idade do menino o desespero se abateu sobre todos, pois entendemos que não havia mais o que fazer, nem mesmo rezar e eu me senti novamente inerte. Perguntava-me o que fazer, os poucos minutos que conseguimos fixar aquela mulher à realidade escaparam de nossas mãos e nos afastamos porque ela entrou de vez em sua histeria.
Minha amiga que foi ao hospital para fazer uma inalação pela crise de asma estava tão nervosa que quase não conseguia respirar. Quando os atendentes se afastaram do caso a conduziram a sala para os procedimentos, aguardamos ainda uns 40 minutos e acompanhamos a chegada da polícia, do pai insano, dos parentes que iam para a festa de aniversário e chegavam sem acreditar no que estava acontecendo.
Eu continuava a pensar o que foi que eu fiz por essa mulher? Rezei por ela ou por mim? Enquanto dizia para ela ter fé eu sabia em meu coração que o menino estava morto. Ainda agora pergunto porque a abracei, porque tentei tirá-la da dor imensa que estava sentindo, foi por ela ou foi porque eu não suportaria vê-l naquela situação sem fazer nada. Mas o que havia para ser feito? Dizer-lhe que o filho morreu em seus braços no carro, enquanto ela procurava por socorro? Eu não tive essa coragem.
Após sermos atendidas, voltamos nos perguntando o que fomos fazer naquele hospital? Porque estávamos lá naquele exato momento, mais de mil e seiscentos quilômetros longe de casa, nos preparando também para uma festa de aniversário. Pouco antes eu estava apenas preocupada com aquela picada de abelha que voltava a inflamar meu dedo, se ia ou não arrumar os cabelos, se a chuva ia atrapalhar a festa.
Meu conhecido que estava aniversariando disse na volta para casa que a vida deve ser vivida com alegria e júbilo, porque é uma dádiva que não sabemos por quanto tempo teremos, e se emocionou por seus 70 anos.
Eu continuo sem saber o que aconteceu comigo e porque era preciso que eu estivesse lá para participar dessa história. O que era preciso que eu tivesse aprendido hoje?
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28/11 a noite
Voltamos para o hotel exauridas emocionalmente. Tomei um banho e tentei retornar ao normal pois iria me arrumar para festa.
Fomos ao clube e encontramos a outra metade da família que faltava conhecer. Gente demais! Todos faziam questão de vir cumprimentar os “amigos da Bahia” do Tio Milton.
A festa amanheceu o dia e durante toda a noite ele foi homenageado com depoimentos e declarações sobre como sua presença, força e exemplo influenciaram as tomadas de decisões de vários membros da família e de como ele os ajuda com sua alegria de viver. Contagiou-nos a todos!
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29/11/09
De novo a festa varou a madrugada.
Voltamos para o hotel às 05:00h para dormir e acabamos perdendo o café. Mas isso não foi exatamente um problema, porque íamos seguir direto para o churrasco na casa de um dos irmãos de Milton. Saímos correndo para pegar algum mercado aberto porque afinal, ainda tinha que reabastecer meu estoque de queijo e doces.
Madalena, uma das irmãs mais velhas dele é doceira e faz doces artesanais cristalizado e em compota. Estou levando um de cada um para experimentar. É doce para o ano inteiro….
O churrasco começou às 12:00h sem hora para acabar, saímos de lá às 18:00h e o povo não estava com cara de quem ia desistir tão cedo!
Retornamos ao hotel para nos prepararmos para a volta da maratona aérea, amanhã vamos sair de madrugada para vencer os 100km de volta até Confins, pegar nosso vôo para Viracopos e SSA. Chegaremos em casa às 13:00h prontos para mais um dia de trabalho.
Cansou mais valeu a viagem. Teve muita festa, comemoração, vida e morte, principalmente muito amor e calor humano que recebemos e aprendemos com essa família.
Com Milton aprendi que a vida merece ser vivida com intensidade e alegria, por isso ele consegue transmitir felicidade a todos que estão a sua volta.
Em seu livro de aniversário escrevi uma pequena poesia na qual tentei registrar esse sentimento.
A vida é efêmera, mas linda!
Grande e fugaz
Preciosa e simples.
Aprender a vivê-la
É reconhecer que é preciso apenas
Saboreá-la com alegria e felicidade
Vivê-la a cada dia com júbilo e agradecimento!
- Mesmo que não tenhamos mais exclusividade quando voltarmos à nossa vida comum…
Marta
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